terça-feira, 9 de junho de 2009

"Protocolarmente" apresentados!




Entregue e protocolado.
Esta manhã estive na Câmara Municipal de São Paulo acompanhando o 1º seminário para discutir as relações da sociedade civil e os vereadores. Após ouvir os vereadores e demais participantes inclusive o Milton Jung, fui em busca de protocolar minha carta de apresentação a minha vereadora adotada.
Deixo aqui uma copia do protocolo de entrega. Desta vez não haverá retorno. Foi entregue! Duas semanas, diversas tentativas de dialogar com ela e até agora nada. A tecnologia tem lá as suas falhas... meus emails nem chegaram a serem entregues...
Como já havia dito antes, ler um e-mail não toma mais que cinco minutos.
Interessante, existir vereadores a quem o acesso é tão mais fácil.
Que não concordem, que tenham lá seu questionamento e suas razões... tudo isso posso entender, é saudável, democrático. Mas essa recusa tão veemente em receber um cidadão, o objeto maior de seu trabalho, não.
Mesmo por aqui... quando este texto pode ser lido em qualquer tempo, qualquer dia! Foi interessante vê-los (os poucos que estavam ali). Pude ouvir e tive que concordar algumas vezes quando disseram que realmente é difícil legislar obedecendo algumas limitações impostas por outras leis.Vou tentar ser mais presente neste tipo de debate. Mais uma vez registro que estavam ali apenas uma pequena parcela dos 55 membros da nossa Câmara. A minha adotada não vi.
Vamos a algumas considerações...
Muito óbvio para nós usuários diários dos serviços públicos que quase tudo vai muito mau, e faz muito tempo. Não vou nem muito longe e os convido a olhar a briga entre carros, ônibus, motos e bicicletas (felizmente elas existem). Segundo fiquei sabendo hoje, legislar sobre quaisquer aspectos do transito não é competência do município. Mas também não é, sobre a educação ou a segurança e embora vivamos e paguemos para estar aqui, a Câmara de Vereadores não pode ser responsabilizada pelo caos do transito. Não em tese, mas pode sim iniciar o processo de transparência no investimento do dinheiro público e assim ajudar que não tenhamos mais ruas mau sinalizadas ou coisa pior! Ruas não sinalizadas.
Transparência. Comunicando-nos que nosso dinheiro está investido em nossa casa, nossa cidade, não em um castelo ou palacete lá na serra da Cantareira! Muito menos, em alguma outra empreitada de muito maior monta.
Um dos vereadores ali presente, disse estar inconformado por que seu site,embora eleito o melhor site entre vereadores pelo Google, não teve da população uma avaliação assim tão retumbante, estranho não? Talvez, por que quem deve realmente avaliar e acompanhar o site, não viu naquele lugar o suficiente para saciar sua sede de saber o que realmente interessa para quem dorme e acorda em São Paulo. Em seguida a este texto vou procurá-lo e falarei com mais propriedade.Não enxerguei vontade de enganar. Vi uma enorme incapacidade de comunicarem-se, e não estou falando de fazer propaganda.
Outro vereador reclamou sentir-se nivelado por baixo com os maus parlamentares quando não tem seu trabalho reconhecido pela população, e quando ouve críticas generalizando todos os vereadores pelo mau feito de meia dúzia. Outra falha na comunicação. Por que a imprensa não divulga o que esta sendo feito de bom?. Bem, nem a imprensa nem nós sentimos tanta melhora assim... lembra do trânsito?
Reclamar reconhecimento enquanto houver uma única criança passando fome aqui, no meio do maior acumulo de riqueza do país é no mínimo de mau gosto. Houveram mais falando. Em outros posts voltarei a comentar o seminário de hoje cedo.
Receber voto, eleger-se traz consigo uma gama de responsabilidades muito maior do que a que se observa nas ausências de mais vereadores em oportunidades como a de hoje. Deveriam estar todos ali, e todos dispostos a escutar! Em seminários assim deveriam muito mais ouvir que falar! As auxenias, salvo raras exceções revelam, por exemplo, os querem fazer carreira política. Largando pra trás alguns milhares de votos que recebeu em troca de disputar um cargo mais alto na hierarquia. Não que todos façam assim, e vou aqui apontar meu dedo à aqueles que pensam em candidatarem-se outra vez, enquanto o tempo que lhes foi confiado a frente de tamanha responsabilidade está pela metade. Há inclusive alguns pré-candidatos bem explícitos neste sentido.
Não creio que possa algum deles, nem o melhor de todos, resolver o embrulho de décadas de descaso em quatro anos. Não é isso que espero. Espero que ao final de outros quatro anos, possamos enxergar que há um pouco menos de lixo nas ruas, algumas crianças a menos drogadas na calçada. Mais transparência no trato da coisa pública. Que o jogo político não anule a participação cidadã. Que a pretexto de conseguir apoio político, não tenhamos o legal sobrepondo-se ao moral.
Isso soa pouco provável?
Isto pode acontecer quando as sessões da Câmara não aprovarem mais, leis que não foram discutidas e acompanhadas pelo menos, por todos os vereadores. Pra não falar de serem abertamente discutidas em seminários como o de hoje.
Quando o gasto dos gabinetes for acompanhado aos centavos em planilhas eletrônicas, quando os Srs. vereadores declararem em juízo, todos os seus bens antes e depois de seus mandatos. E sujeitem-se a perdê-lo em caso de discrepância.
E quando tudo isso não for muito difícil de imaginar.
Eu aderi a idéia de adotar um vereador, para acompanhar de perto um parlamentar em sua vida na Câmara. Não parei para escolher. Assumi olhar para uma, que ainda não havia sido adotada. Adotar para conhecê-la e fazer seu trabalho conhecido. Estive e ainda estou disposto a ouvi-la, com a mesma disposição que tem um candidato em tempos de eleição. É um voto como o meu, somado a alguns milhares que a tornou vereadora, e nem assim sequer um e-mail meu foi lido.
Vou seguir acreditando que um erro tremendo da tecnologia impediu que até hoje ainda não nos encontrássemos. Quero acreditar que como os que ouvi nesta manhã, ela esteja sim disposta a ser transparente. Até para poder pedir o nosso voto de confiança em uma próxima eleição.

Sérgio Mendes
Leia mais sobre o encontro desta manhã aqui.
Sobre vereadores pré-candidatos ao pleito de 2010 aqui

Um comentário:

  1. Então não tive o prazer em conhece-lo lá no seminário é porque estava brigando em protocolar sua carta de apresentação à sua adotada?
    Bom, boto fé que uma hora você vai conseguir o contato com ela, mesmo que se faça plantão na porta do gabinete. Mas antes que parta para esta ação, acho que seria interessante o Milton Jung dar, no CBN/SP, uma puxadinha na orelha de todos os/as vereadores/ras que não estão atendendo seus padrinhos/as.
    É isso ai, força que eles/as terão que nos ouvir.
    Abraços
    Massao

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