Tenho sorte de viver em São Paulo. Uma cidade que desde minha infância é um ícone para mim.
Nasci no interior do estado do Piauí e só nas minhas brincadeiras de criança era possível morar aqui. Costumávamos, eu e a molecada de então, sermos mais inventivos fazíamos de conta que transitávamos entre o Rio e a São Paulo das novelas da Globo. Engraçado que mudavam as novelas e as personagens, mas éramos em nosso faz-de-conta, sempre o empresário a secretária e empregada que servia o café ou a bebida... Alguns itens estavam sempre presentes também. A máquina de escrever feita com uma folha de papel dobrada ao meio e curva para imitar o som das teclas, um interfone com o qual o diretor falava com a secretária, a moto que era não mais que um pedaço de pau. O carro, uma tampa de panela...( contribuição involuntária da minha avó...). Muito Bom, muito desprovida dos brinquedos vendidos na época, mas cheia de criatividade.
São Paulo era grande, era longe era um mito. Vir até aqui de verdade só comparávamos a ir a Marte! Tenho a impressão nostálgica de que naquele tempo deveria ser melhor aqui.
Gosto de como São Paulo esta hoje, há muita beleza escondida pelo asfalto, muitas arvores que teimam em dar frutos e flores amenizando a poluição nos nossos olhos. Generosas estas criaturas. Há algo mais generoso que uma árvore?
É claro que poderia ser bem melhor. Há muito que fazer mas antes de seguir o rosário das mil queixas deveríamos perguntar a nós mesmos sobre como contribuir, como melhorar.
Sem dúvida, trazer a luz, o debate que acontece dentro do fórum maior do município e convidar os cidadãos a opinar, é um jeito bastante eficaz de fazer daqui, uma cidade mais parecida conosco. Tenho as minhas opiniões bastante claras neste sentido e gosto do apoio dos que compartilham comigo estes pontos de vista. Entretanto bom mesmo é exercitar o dialogo com opiniões contrarias. Negociar uma saída justa e moral para os problemas comuns a todos que vivemos aqui. Acredito ser desta forma que crescemos. Muito me incomoda o olhar a política com a paixão de um torcedor de futebol, como se não houvesse nada além do time X e dos jogadores fulano e beltrano. Política para mim, não é religião, nem paixão, tão pouco termina no final do campeonato. É negociar! Dar voz a quem, por um motivo ou outro, não pode fazer-se ouvir. Garantir que as áreas comuns desta nossa casa estejam sempre em ordem para poder servir a todos da maneira mais igualitária possível. Acredito em resultados, não se justifica “estamos fazendo” mas “veja o que eu já fiz”. Tenho consciência de que um dia seguiremos um projeto de desenvolvimento público e não projetos de partidos, que teremos a clareza de quanto o estado nos custa, e que pagaremos para sermos atendidos, sermos servidos. Estou seguro de que a audácia de tocar no dinheiro resultante da coleta de impostos, não passará incólume. Espero ainda a alternância de administradores, tão salutar no tratar da coisa publica. Por fim a derrocada cabal do excesso de burocracia, do criar dificuldades para vender facilidades e de quando a mais alta autoridade saberá que deve explicações ao povo por quem e para quem é feita a lei!
Começamos.
Sergio Mendes

Lembrar da máquina de escrever de papel, foi um tempo muito bom...Em termos.
ResponderExcluirSão Paulo realmente era um sonho dourado. Também recordo a emoção que tive ao chegar por aqui a primeira vez, apesar do trânsito intenso. Nem sabia o que era congestionamento.
Suas palavras me dão vontade de pensar um pouco mais sobre a vida real nesta cidade.