segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Onde foram parar?

Não é surpresa que ha muito tempo nossa classe de governantes está destacada do restante da população. Faz muito tempo que a mesma Ética deixou de ser diretriz da ação do estado e deu lugar ao imbróglio da lei e de seus meandros que de tão complicados deixam o cidadão menos atento perdido sem saber o que aconteceu e o que acontece.
Sem entender os caminhos do mesmo estado, mas muito exigido quando se trata de fazê-lo existir. Ao cidadão sobra um peso enorme que se vê obrigado a carregar trabalhando mais de cinco meses no ano para sustentá-lo.
Faz tanto tempo que existe os não existentes serviços do estado que para gerações de brasileiros, ele, simplesmente... não existe. Brasileiros que não sabem que tem direito. Tem de alguma forma o entendimento do “meu direito”, mas não sabem como ou onde pedir por eles.

Ruas esburacadas, falta de assistência básica de saúde, educação, saneamento, segurança... Não há suficiente. Sobram, entretanto benesses e regalos a uns muito poucos.
São muito poucos os que podem ir, vir... estar. Os demais, tem tarefa de validar as urnas mesmo sem saber o que ou para que.
Nossa constituição reza que todos os tramites do estado devem ser transparentes e comunicados devidamente, mas se sabemos da cobrança de impostos, por exemplo, não é senso comum a direção de tais recursos. Ficam assim, diluídos nos engenhos de uma máquina enorme e muito complicada que a conta gotas vai soltando um ônibus lotado ali, uma fila de doentes acolá, médicos desmotivados a trabalhar, professores desrespeitados e sem condições de preparem-se para a tarefa de ensinar e tudo mais que está tão presente nas ruas esburacadas de nossas cidades.
Dizer que uma pessoa que trabalha não pode refletir seus esforços em um padrão de vida mais elevado, ou em bens que por ventura venha a desejar, não é o objetivo deste que vos escreve. Mas que não exista, nem uma dúvida quanto aos proventos que sustentam a máquina do estado, que a educação e o bem comum sejam acessíveis a todos os cidadãos que uma vez educados sejam capazes de elegerem para si o rumo na vida que melhor lhes pareça.
Nas casas legislativas o dinheiro de interesses mercadológicos não pode desviar a atenção dos legisladores da causa da cidadania e da transparência. A mesma mistura de interesses é a razão da distancia entre representantes e representados, das escolas públicas que não funcionam como deveriam. A ausência dos vereadores dentro delas, confiando a educação dos seus aos serviços que eles próprios administram. O mesmo digo para os hospitais, as moradias aos ônibus e todos os serviços que deveriam ser a imagem da excelência do preço que custa para nós cidadãos carregar o estado nas costas.
E se temos as ruas que temos, a educação que temos, a segurança e as filas nos atendimentos da saúde que temos, é único e exclusivamente por que quem atreveu-se a receber o voto de confiança dos cidadãos deste lugar, falhou em sua tarefa de legislar, fiscalizar e administrar os recursos que todos somos obrigados a pagar.
De alguma maneira estes recursos foram contingenciados e não chegaram onde deveriam. Mas eles existem. Onde foram parar?

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