quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vereadores mantêm influência nas subprefeituras de SP



Ao contrário do que ocorria antes de 2005, subprefeitos não são indicadospelos vereadores, mas pelo prefeito.


Vereadores de São Paulo continuam a exercer influência nas subprefeituras. São cerca de 1.600 cargos de confiança espalhados pelas 31 subs da cidade, cujos titulares podem mudar conforme a administração municipal. Essa ampla fatia de empregos vinculados a indicações políticas,mais o prestígio que as subprefeituras destinam a certas lideranças locais, favorecem a ascendência que membros do Legislativo têm em diferentes regiõesda cidade.

O Estado obteve junto a funcionários da Prefeitura, que não querem seridentificados, o mapa que indica as zonas de influência dos vereadores nassubprefeituras. Ao contrário do que ocorria antes de 2005, os subprefeitosnão são mais indicados pelos vereadores, mas pelo prefeito. Quando os subssão escolhidos, no entanto, segundo a Prefeitura, eles têm autonomia paradefinir sua equipe.

Na hora de escolher os quadros de funcionários, o Executivo considera que a ajuda dos vereadores na indicação dos postos é legítima. "Existem vereadores distritais, com larga votação em bairros específicos, que conhecem bem aregião e nada mais justo que indiquem funcionários para ajudar", afirma Antônio Carlos Malufe, secretário de Relações Governamentais.

A propagada autonomia dos subprefeitos faz a relação com os vereadoresvariar conforme a região. Em Ermelino Matarazzo, na zona leste, um doscargos mais cobiçados da sub, a Coordenadoria de Desenvolvimento ePlanejamento Urbano (CPDU), responsável pela liberação das plantas eprojetos habitacionais, é ocupado pelo engenheiro Oscar Nichi que, segundo osite De Olho na Câmara, foi na eleição de 2008 o principal doador dacampanha do vereador Adolfo Quintas (PSDB), que exerce influência na subprefeitura. Nichi deu R$ 12.335 à campanha do vereador.

Na Subprefeitura da Penha, na zona leste, cuja influência vem sendo exercida historicamente pelo vereador Toninho Paiva (PR), a função de CPDU passou aser exercida por Reginaldo José Fazzion, que durante a gestão de Celso Pittafoi administrador regional da Penha. Em 2007, quando Fazzion era supervisorde fiscalização da Sé, o nome dele apareceu em escutas durante a OperaçãoTêmis, da Polícia Federal, como suspeito de evitar a fiscalização de bingosno Ipiranga, na zona sul. "Sou o mais votado na Penha nas últimas cincoeleições e é natural que eu exerça influência na região. Mas quem indica osfuncionários é o subprefeito. Não eu", disse Paiva.

A ascendência sobre o subprefeito, às vezes, chega a virar alvo de ataques.O vereador Ricardo Teixeira (PSDB) exerce influência nas Subprefeituras deItaim Paulista e São Miguel Paulista, na zona leste. Está quase semprepresente em eventos locais, ligados a obras e projetos para a região. Distribui panfletos de campanha apontando obras que foram feitas pelassubprefeituras e com o apoio dele no Legislativo. Em dois desses folhetos,obtidos pelo Estado, anunciava até a construção de um "sarjetão" e de um"muro de arrimo". "Mas a influência vai além. Só com a ajuda do vereador épossível aprovar pedidos com mais rapidez", afirma o empresário Sérgio Faria, do Itaim Paulista, que é filiado ao DEM. Teixeira não respondeu aos questionamentos do Estado.

Milton Leite (PMDB), em M"Boi Mirim, Goulart (PMDB), na Capela do Socorro, e Antônio Carlos Rodrigues (PR), no Campo Limpo, bairros da zona sul, são lideranças que vêm conseguindo manter a influência histórica que já exerciamem administrações anteriores. Desavenças com Leite levaram a Prefeitura atrocar o subprefeito de M"Boi Mirim, Carlos Roberto Fortner, amigo de Kassab na Poli, que passou a comandar a Subprefeitura de Cidade Ademar. "Essainfluência é natural. Tenho voto na padaria, no bar. Sou campeão de votos no Campo Limpo desde 2000 e, se for ver entre todos os funcionários da sub, certamente mais da metade vota em mim", diz o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR).

A força dos vereadores deixa alguns subs desanimados. O Estado conversou comum deles na sexta, em uma praça de alimentação longe do lugar onde eletrabalha. O sub não queria ser identificado para não queimar sua carreira. Éum administrador competente e tem ideias criativas. "Mas isso é o que menospesa", lamentava. "O que importa são os acordos políticos."


Por Bruno Paes Manso, O Estado de S. Paulo

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